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sexta-feira, novembro 11, 2005

"The Young Gods", XXY - Hard-club em 04.11.2005

"- Ouvi dizer que andaste a fazer um trabalho de pesquisa na Amazónia com o antropólogo Jeremy Narby.

- Sim, é verdade. Na altura foi muito importante para mim. Estive a tentar manter a união da banda e a ida para a Amazónia foi positiva porque me fez pôr as coisas em perspectiva...

- Estiveste em contacto com shamans ou?...

- Sim."


-Talvez tivesse sido a breveidade de resposta, ou então a forma repentina como evitou o meu olhar inquiridor, ou então uma infinitesimal mudança de expressão, algo me fez respeitar esse breve e súbito silêncio. Foi nesse instante que esse homem, esse artista por mim tão admirado operou mais uma das suas metamorfoses: ontem era divindade sublime, transformando o palco no "umbigo do mundo"; hoje tinha sido um desconhecido bizarramente familiar cuja presença calma e cordial convidava à amizade; agora era Franz Treichler, o talentosos e misterioso cantor da banda "The Young Gods".

-Foi em 1997, aquando do lançamento do álbum "Only Heaven", que pela primeira vez tomei contacto com a música desse grupo. Fui imediatamente arrebatado pela amálgama coerente de rock, texturas e sons electrónicos, psicadelismo visionário e experimentalismo sónico "avant-garde" presentes nesse trabalho.
-Curioso, entreguei-me à tarefa de conhecer a sua restante obra e verifiquei que todos os discos tinham algo em comum: a incessante procura de sons e abordagens novas.
-Este estilhaçamento de fórmulas, eterno movimento projectado para o futuro, tão incaracterístico nos nossos dias, esconde porém uma "matriz genética" perene oriunda tanto do "Acid-Rock" dos "The Doors" (influência de Jim Morrison em Frank Treichler) como da genialidade sónica de Jimi Hendrix (grande influência de Alain Monod) ou da crueza despojada dos "The Stooges".
-A música deste colectivo suiço explora o groove hipnótico; a fusão ritmo/melodia atravéz da manipulação electrónica das percussões; a energia da guitarra (neste caso samplada) e dos contratempos do rock clássico; os sons de baixos e pratos invertidos; o uso de "samples compostos" (obtidos por aglomeração de sons), a influência da música clássica e mais um interminável rol de técnicas, ritmos e sons.
-A voz, ora cavernosa e profunda, ora leve e melódica, promove o casamento perfeito entre palavras e os sons, atravéz de interpretações poderosas ao nível conceptual e emocional. As suas letras são misteriosas, imagéticas, insinuadas, cinéticas... tão inspiradas pelos abismos da alma como pelas montanhas de espírito.
-Oito anos passados e o primeiro contacto, a música dos "The Young Gods" continua a renovar-se a cada audição, ajudando-me a suportar melhor o Inverno longo e chuvosos da cidade do Porto!

-Este curto texto cuja intenção passava por fazer uma crítica ao concerto da banda no Hard Club viu-se, por força de um manifesto desiquilíbrio estrutural do seu autor, transformado numa fraca e redutora análise à musica da banda.
-Como única atenuante a este fracasso posso apenas invocar a intenção de que o texto funcione como despoletador da curiosidade dos que ainda não conhecem a sua música.
-Aos restantes, conhecedores dos discos e performances da banda, deixo apenas um pedido de desculpas e um telegráfico relato do concerto: Em início de tournée, os "The Young Gods" brindaram o público português com uma mescla de temas antigos e músicas ainda não editadas. Assistiu-se a uma performance poderosa embora possívelmente não tão exuberante quanto outras que tivemos a sorte de assistir no nosso país.

Escrito por : Nuno Malheiro

(na foto : The Young Gods)

Links associados :

Amazonia Ambient Project

Jazzu (projecto musical, pertrença do autor do texto, Nuno Malheiro)

Download:

The sound in your eyes

Seeräuber Jenny

-

Abraço!

8 Comments:

Blogger O Puto said...

Tive pena de não os ir ver. São uma banda que admiro, que conheci no início da década de 90 e a cujo concerto assisti nessa altura e que foi o meu primeirinho. O largo espectro da sua música enérgica e hipnótica é o que mais me cativa. E são bem merecedores do seu nome, principalmente do substantivo.
Uma correcção ao autor do texto: "Only Heaven" é de 1995.

sexta-feira, novembro 11, 2005 7:15:00 da tarde

 
Blogger Fil said...

Ainda bem que cá vêm, o dinheirinho que estava reservado para os dEus, esgotadisssssimo, começa a ver novo destino ...

sexta-feira, novembro 11, 2005 7:44:00 da tarde

 
Anonymous Aristóteles said...

Quanto a mim, que conheço muito pouco, o texto funcionou certamente como um incentivo. Entretanto, Malheiro, espero então pelo empréstimo desse Kurt Weil.

sexta-feira, novembro 11, 2005 9:09:00 da tarde

 
Blogger The Boy with the thorn in his side said...

O puto, o ano da data oficial é esse, mas a Portugal chegou certamente mais tarde! O que o autor se referia era quando tomou conhecimento do álbum quando lançado no nosso país!
E confirmo, a data oficial é 1995!

sábado, novembro 12, 2005 2:34:00 da manhã

 
Blogger O Puto said...

Desculpa lá rebater novamente a informação do autor do texto, mas eu comprei o "Only Heaven" em 1995. Ele é que só o conheceu em 1997.

sábado, novembro 12, 2005 4:29:00 da tarde

 
Blogger The Boy with the thorn in his side said...

Se o confirmas! Como transcrevi o texto, não procurei essas falhas! Fica o reparo!
Sempre apareces logo?
Abrço!

sábado, novembro 12, 2005 5:04:00 da tarde

 
Anonymous TZL said...

Malheirowsky, ainda bem que o teu "desequilíbrio estrutural" te levou a este belo texto :-)
O Puto: que inveja!, estás a falar - creio - de um certo concerto no Sá da Bandeira...

domingo, novembro 13, 2005 1:24:00 da tarde

 
Blogger O Puto said...

Bruno: lamento não ter aparecido no sábado, mas o concerto do Lou Barlow acabou tarde e acabei por ficar no Mercedes com os amigos. Fica para uma próxima.
Tzl: Foi mesmo esse no Sá da Bandeira. Que concerto!

segunda-feira, novembro 14, 2005 1:16:00 da manhã

 

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